O outro lado de Ibiza: Ilha dos Mortos

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Ibiza

Além dos holofotes, iates de luxo e festas eletrônicas que duram até o amanhecer, Ibiza esconde uma identidade antiga, sombria e profundamente mística. Ao raspar a superfície de neon da ilha mais famosa do Mediterrâneo, revela-se uma terra vermelha impregnada de história arqueológica, rituais e mistérios que desafiam o tempo.

Antes de se tornar o epicentro mundial do turismo e do entretenimento, Ibiza era vista pelas civilizações antigas como um santuário sagrado. Quando os fenícios desembarcaram na região, notaram a ausência total de cobras e animais peçonhentos. Para essa cultura guiada pelo misticismo, o fenômeno representava um sinal divino de um solo puro e purificador.

Essa reputação transformou a ilha em um dos destinos funerários mais cobiçados da antiguidade. Famílias abastadas de todo o Mediterrâneo pagavam fortunas para transportar os corpos de seus entes queridos em navios até o local. A ilha consolidou-se como uma autêntica Cidade dos Mortos. Na necrópole de Puig des Molins, mais de três mil câmaras subterrâneas escavadas na rocha abrigavam sepultamentos com moedas na boca, amuletos egípcios e ovos de avestruz pintados simbolizando o renascimento.

A obsessão pela proteção espiritual moldou a própria identidade do território. As moedas cunhadas na ilha exibiam a figura do deus Bes, uma divindade de origem egípcia representada por um anão barbudo e grotesco que atuava como amuleto contra o azar e maus espíritos. A própria origem do nome Ibiza vem do termo púnico Ibossim, cuja tradução literal significa a Ilha de Bes.

O lado oculto da Ilha Branca abrange também o plano sobrenatural. Nas montanhas ao norte, a caverna sagrada de Es Culleram abrigava o culto à deusa Tanit, divindade da fertilidade e da morte associada a rituais ancestrais. No horizonte marítimo, ergue-se o imponente ilhote de Es Vedrà, uma rocha magnética de 400 metros de altura famosa por desorientar instrumentos de navegação e por relatos ufológicos como o Caso Manises em 1979, quando um voo comercial realizou um pouso de emergência após avistar luzes misteriosas.

A essência de Ibiza permanece intacta através dos milênios. Se no passado os viajantes buscavam a região em busca de transe, rituais e espiritualidade, hoje multidões desembarcam no mesmo solo em busca da mesma desconexão por meio da música e da dança. Mudaram os deuses e os costumes, mas a energia magnética e os segredos arqueológicos continuam enterrados sob o paraíso espanhol.

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Sobre a autora

Avatar de Olívia Máximo

Amo me comunicar e me conectar com pessoas. Amo viajar, ler e escrever. Sou arqueóloga, mineira e mochileira de 24 anos. Saí do Brasil aos 20 anos para estudar e a partir daí comecei a aprender a viajar de forma desapegada! Vamos conhecer este mundo juntos?

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