
Sempre amei um desenho que você provavelmente também conhece: Scooby-Doo. Nele, os personagens percorrem o mundo desvendando mistérios. Eu queria criar algo que envolvesse essa aura de enigma e viagens, e foi por isso que escolhi a arqueologia.
Assim, em 2019, me mudei sozinha para Portugal para realizar minha gradução. No entanto, a insistência maçante da rotina me fez duvidar desse caminho inúmeras vezes. E, na instabilidade dos meus 20 e poucos anos, decidi viajar o mundo sozinha, sem casa, sem renda fixa e apenas com sonhos na mochila. Em 2022, essa aventura se tornou real e vivi os melhores momentos da minha vida, literalmente coberta pela liberdade.
O Nascimento de um Mistério
No início de 2025, enquanto me sentia “perdida” em uma viagem pelo interior do Nepal, uma ideia brilhou no meu cérebro. Talvez ela sempre estivesse lá, mas faltava o alicerce necessário para se concretizar. Na época, meu canal no YouTube existia há dois meses e o blog desde o início da jornada em 2022. A ideia era uma série que eu já sabia até o nome: Mistérios Arqueológicos Pelo Mundo.
O objetivo? Explorar lugares reais em busca de histórias, lendas e perguntas que permanecem sem resposta até hoje. Eu queria viver minha própria experiência de Scooby-Doo, junto com vocês.
A Busca pelo Conhecimento
No final do ano passado, após três anos e meio de estrada, regressei ao Brasil. Com minha câmera na mão e um cenário de biblioteca perfeito na casa do meu pai, eu ainda sentia que faltava a substância do conhecimento acadêmico. Afinal, eu tinha aprendido tudo sozinha desde o começo do blog.
Foi assim e, sinceramente, não sei explicar como surgiu na tela do meu computador, que descobri o Mestrado em Jornalismo de Viagem em Barcelona. Eu tinha alguns critérios silenciosos, mas reais: queria me divertir (já que uma vida sem estímulos, aos 26 anos, parece-me acomodada e tediosa) e buscava algo que não durasse mais de um ano. Não me vejo ficando mais tempo que isso em um só lugar (pelo menos hoje, 29 de abril de 2026, pois, como geminiana nata, sei que isso pode mudar em um sopro). Ao ler a grade do mestrado, tive uma epifania: é isso!
Pouparei vocês dos dramas que se seguiram: o desafio financeiro para arcar com os 4.600 euros do curso (visto como um investimento para a vida toda) e a corrida contra o tempo para organizar documentos e chegar à Espanha em fevereiro. Em novembro eu ainda estava no Brasil, e cheguei aqui quase em março. No fim, tudo se resolveu e eu desembarquei em Barcelona.
A Experiência na UAB: Radical e Rebelde
A Universidade Autónoma de Barcelona (UAB) é pública, gigantesca e considerada uma das melhores da Espanha. A proposta do mestrado é radical e rebelde, no melhor sentido da palavra.
Até agora, as experiências foram intensas: já voei em um helicóptero aberto do exército espanhol e tive uma semana dedicada ao “Turismo Dark” (que eu, particularmente, amo). Estou escrevendo e coproduzindo um livro que será publicado e tenho aulas com profissionais fenomenais que constantemente me trazem novas ideias. Eles prezam muito pela originalidade, e isso preenche meu coração.
O trabalho de conclusão foi o que realmente me deslumbrou: uma viagem em grupo para documentar um destino no formato que escolhermos, seja documentário, podcast, guia, fotos ou blog. O destino é sorteado e os custos estão inclusos no curso. O nosso foi a Polônia! Faremos uma viagem de motorhome pela costa polonesa, visitando aldeias com influência viking e terminando em um festival na fronteira com a Alemanha. Vamos registrar tudo em um documentário para o YouTube, um blog e conteúdos diários para o Instagram e TikTok.

O Sonho da National Geographic
Uma das maiores vantagens deste mestrado é o acesso a vagas exclusivas em grandes empresas. Antes mesmo de chegar à Espanha, participei de um processo seletivo para a National Geographic Espanha. Fiquei entre as três finalistas após enviar meu currículo e um texto. Fiz a entrevista, mas, infelizmente, não fui selecionada.
Eles se interessaram muito pelo meu background em arqueologia, já que a revista foca muito nesse tipo de conteúdo. Ter essa oportunidade já era um sonho desde a minha graduação. Um ponto importante: eu não falava espanhol e pedi para fazer a entrevista em inglês, o que suponho ter pesado na decisão. Hoje, já entendo bem e minha comunicação está evoluindo, mas a língua não foi um empecilho para a aceitação no mestrado.
Realização Profissional
De maneira geral, apesar das questões pessoais que atravessam a vida de qualquer imigrante, estou muito feliz com a minha decisão. Às vezes nem acredito que estou transformando o que amo em algo profissional. Aprender para ser melhor em um caminho no qual você já acredita é, realizador.

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